Oficina realizada em Salvaterra reúne o território para discutir comunicação como ferramenta de autonomia e mobilização social

No dia 4 de março de 2026, no Centro de Referência Manejaí, localizado na comunidade de Monsarás, em Salvaterra (Marajó), aconteceu a Oficina de Comunicação Estratégica voltada ao fortalecimento do acesso ao crédito e a oportunidades financeiras no território. Facilitada pela Angola Comunicação, parceira do projeto Marajó Resiliente, a atividade integrou a programação do Fórum AtivaCred, promovido pelo Instituto Conexsus.

Com duração de uma hora, a oficina abordou o papel da comunicação como instrumento fundamental para organizações comunitárias, agricultoras, agricultores e cooperativas apresentarem suas produções, negociarem com agentes financeiros e fortalecerem sua atuação no território. Entre os temas trabalhados estiveram a comunicação assertiva nas negociações, o uso estratégico das redes sociais para comercialização de produtos, e a importância da organização coletiva como ferramenta de mobilização social.


Para Lou Hecker, oficineiro representando a Angola Comunicação, a oficina foi uma oportunidade de se conectar com o território: “É fundamental estar próximo das pessoas para compartilhar assuntos que parecem tão simples, mas são valiosos na hora de fechar uma parceria, conseguir mais oportunidades e divulgar seu trabalho.”


Outro ponto central da atividade foi o reforço de que o acesso a políticas públicas e benefícios financeiros deve ser compreendido como um direito, e não como concessão. A partir dessa perspectiva, as pessoas participantes foram estimuladas a exercer autonomia nos processos de tomada de decisão, questionamento e compreensão de contratos.

A oficina contou com a participação de 14 pessoas, sendo 11 mulheres e 3 homens, evidenciando o protagonismo feminino nas iniciativas produtivas e nos processos formativos do território. Durante a atividade, houve forte engajamento do grupo, com troca de experiências e relatos práticos sobre os desafios enfrentados na comunicação de seus projetos. Parte das pessoas participantes registrou o conteúdo por meio de fotografias, sinalizando interesse na aplicação das estratégias apresentadas em suas realidades.


Entre os principais pontos levantados, destacam-se as dificuldades no diálogo com agentes de crédito, especialmente em situações marcadas pela falta de paciência diante de dúvidas. Nesse contexto, foi reforçada a importância da garantia do direito à informação clara e ao entendimento integral das condições antes da formalização de compromissos financeiros.


A Oficina foi uma oportunidade de conectar o território com a comunicação como algo fundamental para o seu trabalho em campo também, tendo uma construção coletiva de urgências e oportunidades a serem revistas em outro momento.

Autor: Paulie Amaral/Angola Comunicação

Fotos: Instituto Conexsus

Sobre o projeto Marajó Resiliente

O Projeto Marajó Resiliente é uma iniciativa dedicada a fortalecer a resiliência climática de agricultoras, agricultores familiares e comunidades tradicionais do arquipélago do Marajó, no Pará. Atuando nos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, o projeto busca fortalecer estratégias de adaptação climática a partir do território, aliando saberes locais, práticas agroecológicas e assistência técnica especializada.

A iniciativa é realizado pela Fundación Avina, em colaboração com o Instituto Belterra e o Instituto Conexsus, com a implementação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), da World-Transforming Technologies, da Apó Socioambiental e da Angola Comunicação, nos processos de comunicação, e  é financiado pelo Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) e Climate and Land Use Alliance (CLUA).Sua base está na adaptação climática, implantação de sistemas agroflorestais, acesso a crédito rural, diversificação de renda, e fortalecimento da governança climática local. Ao longo de cinco anos, o projeto foi elaborado  de forma participativa, envolvendo comunidades quilombolas, organizações locais e instâncias públicas. E sua execução prevê cinco anos de atuação em Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, no arquipélago do Marajó.

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