Agricultores e agricultoras como protagonistas da adaptação climática: soluções que nascem da prática no território e projetam um futuro mais resiliente para o Marajó
Entre os dias 03 e 05 de fevereiro, os aliados do projeto Marajó Resiliente encontraram-se para fortalecer estratégias de resiliência climática local. Estiveram presentes representantes da Fundación Avina, WTT, CONEXSUS, IEB, Angola Comunicação e Instituto Belterra, além das lideranças locais que atuam diretamente na implementação das ações nos territórios e representantes do Comitê Consultivo Local e multiplicadores do projeto.

Uma das principais propostas do encontro era fortalecer a governança climática local no arquipélago, e foi um momento de aprendizado, partilha e acolhimento, onde foi possível refletir sobre o hoje e projetar sobre o amanhã.
Cristiane Ramos representante das comunidades quilombolas no Comitê Consultivo Local descreve o momento como energizador. “Foi muito importante ver como tudo estava sendo instaurado nas SAF’s dos multiplicadores e participantes do projeto, eu fiquei emocionada! Voltei feliz e animada para trabalhar na minha área. Esses três dias foram fundamentais para mim.”
O encontro foi marcado por escuta ativa, avaliação das ações em curso e definição de prioridades para o próximo ciclo. Em pauta, estiveram o fortalecimento das capacidades locais, o acompanhamento técnico das práticas agroflorestais, os desafios enfrentados pelas comunidades diante dos eventos climáticos extremos e a importância de consolidar uma atuação articulada em rede, pensando em como consolidar isso para os próximos anos em uma visão de futuro.

Para Jedson Barbosa, multiplicador do projeto Marajó Resiliente e agricultor familiar, o encontro é um passo para revisitar as estratégias e recalcular rotas. “Esses encontros presenciais são importantes, é aqui que conseguimos ver o que estamos fazendo de errado e corrigir, é daqui que vão sair estratégias para gente ir melhorando.”
Ao longo dos três dias, o espaço consolidou-se como um ambiente de construção política e técnica, onde experiências locais dialogam com estratégias estruturantes de médio e longo prazo. O encontro reafirmou que enfrentar as mudanças climáticas no Marajó exige ação coletiva, integração entre organizações e valorização dos saberes tradicionais, algo que tem sido feito nos últimos anos com a atuação do projeto e vem se aprimorando com o avançar do mesmo.
Além disso, a programação também incluiu a visita às áreas produtivas dos multiplicadores Thiago e Rosivan, onde os participantes puderam conhecer de perto as práticas adaptativas implementadas em cada território.
O momento foi marcado por troca técnica e aprendizado prático sobre as particularidades ambientais, os desafios locais e as soluções construídas a partir da realidade de cada comunidade, sendo conduzido pela voz dos agricultores locais.

Para os aliados do projeto, a experiência foi fundamental para compreender, na prática, como as estratégias de enfrentamento à crise climática estão sendo desenvolvidas no território, a partir da integração entre conhecimento técnico e saberes tradicionais e ouvir isso através do depoimento dos agricultores foi fundamental, e até mesmo emocionante, para fortalecer a resiliência climática local no Marajó.
Com encaminhamentos definidos e metas alinhadas, o grupo encerrou a reunião com o compromisso renovado de seguir fortalecendo soluções que nascem do território e ampliam a resiliência das comunidades marajoaras diante da crise climática.
Autor e fotos: Paulie Amaral/Angola Comunicação
Sobre o projeto Marajó Resiliente
O Projeto Marajó Resiliente é uma iniciativa dedicada a fortalecer a resiliência climática de agricultoras, agricultores familiares e comunidades tradicionais do arquipélago do Marajó, no Pará. Atuando nos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, o projeto busca fortalecer estratégias de adaptação climática a partir do território, aliando saberes locais, práticas agroecológicas e assistência técnica especializada.
A iniciativa é realizado pela Fundación Avina, em colaboração com o Instituto Belterra e o Instituto Conexsus, com a implementação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), da World-Transforming Technologies, da Apó Socioambiental e da Angola Comunicação, nos processos de comunicação, e é financiado pelo Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) e Climate and Land Use Alliance (CLUA).Sua base está na adaptação climática, implantação de sistemas agroflorestais, acesso a crédito rural, diversificação de renda, e fortalecimento da governança climática local. Ao longo de cinco anos, o projeto foi elaborado de forma participativa, envolvendo comunidades quilombolas, organizações locais e instâncias públicas. E sua execução prevê cinco anos de atuação em Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, no arquipélago do Marajó.

