Comitê Consultivo Local encerra o ano com avaliação estratégica e articulações para os próximos passos do projeto Marajó Resiliente

A reunião do Comitê Consultivo Local, realizada no dia 12 de dezembro, na pousada Bosque dos Aruãs em Salvaterra, marcou simbolicamente o encerramento do ciclo anual de encontros do projeto Marajó Resiliente em 2025. 

O espaço reuniu representações de lideranças comunitárias e institucionais dos municípios de Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari, bem como contou com a presença de representantes das organizações aliadas Fundación Avina, Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) e Angola Comunicação. Contando com a contribuição das comunidades quilombolas e agricultoras, dos agentes dos governos locais e secretarias de meio ambiente dos municípios, além de porta-vozes  da EMATER e do IdeFlor, reafirmando o Comitê como uma instância estratégica de governança territorial, diálogo permanente e construção coletiva.

Por se tratar da última reunião do ano, o encontro teve como foco central a avaliação do andamento dos três componentes do projeto: a implementação de Sistemas Agroflorestais diversificados, a governança climática local e o acesso a mercado e créditos, analisando como as ações vêm sendo implementadas nos territórios pelas organizações aliadas em parceria com os multiplicadores locais e o envolvimento da comunidade nesse processo. 

As lideranças presentes compartilharam percepções sobre os impactos já observados, como a seca no Marajó, que avança a cada ano, prejudicando a produção de centenas de agricultores familiares e a dificuldade em acesso ao crédito rural para produtores locais. Ao mesmo tempo, discutir sobre esses pontos é pensar que são desafios importantes a serem superados em forma coletiva, por meio do fortalecimento da articulação entre comunidades, organizações parceiras e instituições públicas.

Outro ponto fundamental da reunião foi a análise da relação entre as pessoas participantes do projeto e as organizações aliadas. O debate buscou compreender como se dão as articulações, os fluxos de comunicação e os processos de tomada de decisão, com o objetivo de qualificar as parcerias, fortalecer a confiança mútua e garantir maior integração entre os diferentes atores envolvidos. Esse momento de escuta e alinhamento foi considerado essencial para a sustentabilidade do projeto no médio e longo prazo.

Para Lara Vaz, da Fundación Avina, “Foi uma reunião para fazer uma avaliação sobre as atividades de implementação. Avaliamos o que podemos tirar de bom e positivo de tudo que foi realizado no ano, mas sobretudo avaliar os impactos para o território e pensar quais são os nossos desafios para 2026 e como superá-los em conjunto. Principalmente com a estratégia de Resiliência a partir das experiências do território que é um dos objetivos do projeto Marajó Resiliente.”

Além do balanço do ano, a reunião assumiu um caráter prospectivo, voltado ao planejamento das próximas etapas. Foram discutidas possibilidades de atuação para o próximo ciclo, considerando diferentes fontes de apoio, oportunidades de articulação institucional e novas frentes de trabalho, além da necessidade de enfrentar desafios estruturais que impactam diretamente a continuidade e a escala das ações nos territórios.

Durante o encontro, uma das lideranças destacou a importância desse espaço coletivo para o fortalecimento do projeto e por ser um ambiente onde desafios importantes podem ser discutidos para a continuidade do projeto.  “O Comitê Consultivo local faz parte da estrutura de governança do projeto Marajó Resiliente e avança em um processo de se tornar cada vez mais autônomo e participante nas decisões do projeto.” Afirma Lara. 

Encerrando a reunião, as lideranças reforçaram o papel do Comitê Consultivo Local como espaço permanente de acompanhamento, incidência e fortalecimento das decisões coletivas. A reunião consolidou não apenas um fechamento de ciclo, mas também um ponto de partida para o próximo ano, reafirmando o compromisso com uma atuação articulada, transparente e ancorada nas realidades de Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari.

Sobre o projeto Marajó Resiliente

O Projeto Marajó Resiliente é uma iniciativa dedicada a fortalecer a resiliência climática de agricultoras, agricultores familiares e comunidades tradicionais do arquipélago do Marajó, no Pará. Atuando nos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, o projeto busca fortalecer estratégias de adaptação climática a partir do território, aliando saberes locais, práticas agroecológicas e assistência técnica especializada.

A iniciativa é realizado pela Fundación Avina, em colaboração com o Instituto Belterra e o Instituto Conexsus, com a implementação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), da World-Transforming Technologies, da Apó Socioambiental e da Angola Comunicação, nos processos de comunicação, e  é financiado pelo Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) e Climate and Land Use Alliance (CLUA).Sua base está na adaptação climática, implantação de sistemas agroflorestais, acesso a crédito rural, diversificação de renda, e fortalecimento da governança climática local. Ao longo de cinco anos, o projeto foi elaborado  de forma participativa, envolvendo comunidades quilombolas, organizações locais e instâncias públicas. E sua execução prevê cinco anos de atuação em Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, no arquipélago do Marajó.

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