Campanha “Marajó unido pelo clima” mobiliza atores públicos do Marajó oriental a avançar na construção de políticas de adaptação climática local.
No dia 29 de maio, os gestores dos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure firmaram compromissos para o fortalecimento da agenda climática no arquipélago do Marajó. O evento reuniu gestores públicos dos três municípios, representantes da sociedade civil e atores do território em torno de uma pauta comum: construir respostas coletivas à mudança do clima.

Realizado em Soure (PA), o encontro culminou no lançamento oficial da campanha “Marajó Unido pelo Clima” e na pactuação de compromissos para avançar na governança climática local. Na véspera, os Comitês Municipais Intersetoriais de Ação Climática dos três municípios realizaram uma sessão de trabalho voltada à consolidação de propostas para mecanismos institucionais de governança climática. Cada município elaborou seu próprio Plano de 100 Dias, um compromisso de ações concretas de cada município com ações climáticas imediatas.
A programação foi resultado de um processo de construção coletiva conduzido pelo Projeto Marajó Resiliente e reuniu representantes das prefeituras de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, além de representações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Secretaria Adjunta de Gestão de Águas e Clima do Pará e da Agência de Cooperação Alemã (GIZ).
Um dos principais resultados do encontro foi a assinatura da Carta de Intenção Intermunicipal pelos Gestores pelo Clima no Marajó Oriental, reafirmando o compromisso dos municípios em estruturar mecanismos permanentes de governança climática. A iniciativa fortalece a capacidade institucional local para responder aos impactos ambientais que já afetam o território, como a erosão costeira, eventos extremos, alterações nos regimes de chuva e desafios ligados à produção de alimentos e à segurança hídrica.

“Os Sistemas Agroflorestais mostram que é possível adaptar, produzir, preservar e gerar renda ao mesmo tempo. Eles representam uma solução que nasce do território, respeita os saberes locais e fortalece a segurança alimentar das nossas comunidades. Quando valorizamos essas experiências, nós não estamos apenas enfrentando o clima, estamos criando oportunidades”, afirmou Jaime Barbosa, prefeito de Cachoeira do Arari.
A presença da diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, Inamara Melo, e da secretária adjunta de Gestão de Águas e Clima do Estado do Pará, Renata Ribeiro de Souza Nobre, na interlocução direta com os gestores municipais coloca os três municípios em posição privilegiada no contexto do federalismo climático em consolidação no país, especialmente considerando a inclusão dos três municípios no Programa Adapta Cidades.
Renata Ribeiro de Souza Nobre reforçou a importância da participação multisetorial na formulação e execução de políticas de adaptação climática, destacando que a responsabilidade é compartilhada entre as diversas esferas de poder do Estado. Para a secretária, este é um momento decisivo para avançar em adaptação, especialmente diante das crises hídricas que já afetam as regiões mais vulneráveis do Marajó.
Além dos debates institucionais, o encontro reforçou a importância de experiências já existentes no território, como os Sistemas Agroflorestais conduzidos por mulheres, populações tradicionais e comunidades quilombolas — reconhecidos como exemplos concretos de adaptação climática com geração de benefícios sociais, ambientais e econômicos.
“Para nós é uma enorme satisfação integrar este esforço do Marajó Resiliente. É importante que a gente se prepare para esse novo contexto de emergência climática. A adaptação é uma responsabilidade federativa compartilhada, entre União, estados, municípios, sociedade civil, movimentos sociais e universidades, na definição de medidas para o enfrentamento à mudança do clima”, pontuou Inamara Melo, diretora de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima no MMA.

A campanha segue em implementação, no diálogo contínuo com as prefeituras e comunidades do território, para que a adaptação climática permaneça como prioridade não apenas nas comunidades, mas sobretudo dentro dos gabinetes, garantindo um futuro mais resiliente para as famílias do Marajó.
Sobre a Campanha Marajó Unido Pelo Clima e o Programa Adapta Cidades
A campanha Marajó Unido pelo Clima é uma co-realização do Projeto Marajó Resiliente e das prefeituras de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure. Trata-se de uma campanha de comunicação e incidência para que os municípios protagonizem as estratégias de adaptação climática. Pensar em adaptação é investir em estratégias que transformam vulnerabilidades em capacidade duradoura de resposta.
O Adapta Cidades é uma iniciativa do governo brasileiro, vinculada ao Programa Cidades Verdes Resilientes e coordenada pelo MMA. O programa oferece suporte técnico e financeiro para que estados e municípios criem Planos Locais de Adaptação às Mudanças Climáticas, conectando o governo a gestores locais para prevenir desastres, promover resiliência e adaptar os centros urbanos aos extremos climáticos.
Gestores e técnicos interessados podem acessar a comunidade e o material de apoio no portal Adapta Cidades – ReDUS. A capacitação oficial está disponível na Escola Virtual de Governo, e dados técnicos de suporte podem ser consultados na plataforma AdaptaBrasil MCTI.
Autor: Paulie Amaral/Angola Comunicação
Fotos: Paulie Amaral/Angola Comunicação
Sobre o projeto Marajó Resiliente
O Projeto Marajó Resiliente é uma iniciativa dedicada a fortalecer a resiliência climática de agricultoras, agricultores familiares e comunidades tradicionais do arquipélago do Marajó, no Pará. Atuando nos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, o projeto busca fortalecer estratégias de adaptação climática a partir do território, aliando saberes locais, práticas agroecológicas e assistência técnica especializada.
A iniciativa é realizado pela Fundación Avina, em colaboração com o Instituto Belterra e o Instituto Conexsus, com a implementação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), da World-Transforming Technologies, da Apó Socioambiental e da Angola Comunicação, nos processos de comunicação, e é financiado pelo Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) e Climate and Land Use Alliance (CLUA).Sua base está na adaptação climática, implantação de sistemas agroflorestais, acesso a crédito rural, diversificação de renda, e fortalecimento da governança climática local. Ao longo de cinco anos, o projeto foi elaborado de forma participativa, envolvendo comunidades quilombolas, organizações locais e instâncias públicas. E sua execução prevê cinco anos de atuação em Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, no arquipélago do Marajó.

