3ª Sala de Situação de Gênero do Projeto Marajó Resiliente apresenta Plano de Ação de Gênero

Encontro em Salvaterra reuniu lideranças femininas e organizações parceiras para fortalecer o protagonismo das mulheres na agenda climática do arquipélago.


O Projeto Marajó Resiliente realizou nesta sexta-feira (12), na Pousada Bosque dos Aruãs, em Salvaterra, a 3ª edição da Sala de Situação de Gênero , um espaço de diálogo e construção coletiva que tem como objetivo monitorar, acompanhar e
propor ações que garantem a participação ativa de mulheres no projeto. Além disso, constitui um ambiente seguro e acolhedor, onde elas podem compartilhar suas queixas, demandas e preocupações relacionadas tanto ao projeto quanto à agenda de gênero, fortalecendo a escuta e a construção de soluções conjuntas.

Com a presença de mais de 12 lideranças femininas, o encontro marcou a apresentação da primeira versão refinada do Plano de Ação de Gênero, documento elaborado desde a fase inicial do projeto e enriquecido por contribuições colhidas em espaços de escuta qualificada, como as próprias Salas de Situação. A nova versão do plano reúne demandas, preocupações e propostas que refletem as vivências e vozes das mulheres nos territórios, oferecendo diretrizes concretas para que a implementação do projeto seja sensível às questões de gênero.

“A gente espera que com esse plano a gente consiga garantir para além da meta de 50% de participação de mulheres no projeto, garantir também uma participação ativa desse grupo. Onde as suas vozes e as suas considerações possam ser
atendidas, ouvidas e consideradas. A partir disso, a sala de situação de gênero também tem como intuito acompanhar a aplicação desse plano. Na prática, nas suas ações, nas ações do projeto, e também, nas atividades de implementação dos
seus componentes.”
, destacou Lara Vaz, Consultora de Gênero e Diversidades do Projeto Marajó Resiliente da Fundación Avina.

O encontro contou também com a presença de representantes dos aliados do projeto — como a CONEXSUS, WTT, IEB, Instituto Belterra e Fundación Avina —, o encontro teve como objetivo debater o Plano de Ação de Gênero. A reflexão
reforçou a importância de propor ações concretas que assegurem às mulheres os recursos necessários para enfrentar os desafios climáticos, reconhecendo que elas são protagonistas nas estratégias de adaptação e resiliência frente às mudanças
climáticas e um dos públicos prioritários do Projeto Marajó Resiliente. Ao analisar cada ponto do documento, os aliados, em conjunto com as mulheres presentes, identificaram aspectos prioritários a serem aprimorados e incorporados ao plano.

Para Bianca Barbosa do Quilombola de Mangueiras participar dessa discussão é muito importante para incidir em políticas públicas, ela enxerga hoje que: “É fundamental garantir a melhoria das nossas estradas, garantir que essas mulheres tenham um acesso melhorado relacionado à logística, porque às vezes eu até tenho um produto na minha comunidade, mas não tem como trazer geralmente nos centros para comercializar. Então, pensar em tudo isso, gerar esse empoderamento,
trazer autonomia para as mulheres.”


A Sala de Situação de Gênero se firmou como um espaço essencial dentro do Projeto Marajó Resiliente. Criada para ser um canal permanente de diálogo e escuta qualificada, a iniciativa acompanha e monitora a participação das mulheres nas
diferentes etapas do projeto. Mais do que reunir relatos, o espaço transforma as demandas apresentadas em ações concretas, garantindo que as vozes femininas tenham impacto direto na formulação das estratégias e no fortalecimento da equidade de gênero no território.

Com essa terceira edição, o Projeto Marajó Resiliente avança na integração de perspectivas de gênero em sua atuação, apontando para soluções que unem equidade, resiliência climática e valorização das comunidades locais. Apresentando
três componentes centrais para sua implementação, entre eles: Componente 1: Implementação de Sistemas Agroflorestais Diversificados; Componente 2: Governança Climática Local e Componente 3: Acesso a mercados e créditos.
Apresentando uma abordagem interseccional, territorializada e participativa, o plano reconhece as especificidades locais e busca assegurar que mulheres e comunidades tradicionais sejam protagonistas na construção de soluções adaptativas.

Alinhado às diretrizes da Política de Gênero do Fundo Verde do Clima e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o documento define metas e indicadores detalhados que integram a perspectiva de gênero de forma transversal
em todas as atividades, além de oferecer suporte técnico da Coordenação de Gênero e Diversidades para o planejamento conjunto com as organizações parceiras.

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